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O fascínio das periferias

14/05/2011

A periferia das cidades sempre me fascinou.

Embora quase todo o meu trabalho fotográfico publicado se venha desenvolvendo à volta de temáticas que requerem imagens consensuais, canonicas do ponto de vista formal por força das encomendas, sempre me atraíram estes espaços de transição, estas cascas, sempre caóticas e desordenadas, que é preciso atravessar antes de entrar nas cidades e que pedem fotografias cruas.

Tenho viajado para fotografar monumentos, centros históricos, riquezas patrimoniais, ruas limpas, ordenadas… Porém o melhor do trabalho começa  sempre na estrada, cedo no dia, embalado no conforto da música do autrádio, com o pensamento a vaguear por assuntos que nada tem a ver com as fotografias que se resolverão por si mais adiante.

Acordo da vertigem do asfalto com o embate no primeiro semáforo de controlo de velocidade, que invariavelmente cai para vermelho. A estrada está a acabar e passa a chamar-se rua. É neste espaço de transição que sempre me apetece ficar mais um pouco antes de continuar em frente, para o coração da cidade ordenada pela razão e peso da história, onde ter que resolver o estacionamento já me agasta.

Quando sobram uns minutos adio, desvio-me um pouco e procuro um café. Uma  zundapp à porta tem força de critério. Observo e absorvo a rua esventrada, enlameada, ervada, asfaltada antes de passarem os cabos, as hortas a separar as casas, as garrafas de plástico espanta-pássaros, as bandeiras desbotadas do clube do coração, mais os leões, águias e dragões a guardar as entradas, umas vezes pintados outras não. E prometo sempre voltar um dia, com mais tempo para fotografar com a máquina o que fica por agora registado em intenção .

São essas fotografias, as finalmente materializadas em pixeis e bytes que vão aparecer neste espaço. Porque chegou a hora de rachar o tempo ao meio, para deixar de me amaldiçoar por fotografar tanto só com os olhos.

Évora, vista de um baldio entre a Malagueira e o Alto dos Cucos, num dia a pedir chuva. Fotografias feitas depois de uma paragem para uma bica no Atlantis, o café dos isqueiros.

26 de Março de 2011, 16:51

26 de Março de 2011, 16:45

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From → periferias

2 comentários
  1. Vou seguir o seu blog que parece ser muito interessante! Boa continuação!
    Beijinhos

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